Shauan Intermodal e Convivência

janeiro 22, 2015 § 3 Comentários

Um salve a todos…

Amigos leitores, vocês notarão que este blog passará por uma leve transição, muito positiva por sinal.

Acontece que a cada dia tenho conseguido usar mais e mais a bike como meio de transporte, no dia a dia mesmo, não apenas para os passeios domingueiros tão gostosos, ou para as grandes viagens nos períodos de férias.

Fato é que junto com este movimento pessoal de usar a bike todo dia para minha mobilidade, uma questão importante vem à tona. A questão da falta de estrutura para os ciclistas.

A cidade de São Paulo está caminhando, talvez não da maneira mais ideal, mas ainda assim está caminhando, rumo a uma maior conscientização de que a via é de todos, embora pareça (e simplesmente pareça) que ela é só para os carros, ônibus e afins.

Não sou contra o carro, eu uso muito, mas é preciso se repensar as grandes cidades, como já vem acontecendo fora do Brasil. O colapso já está instalado, não temos para onde correr, temos de mudar. E um dos caminhos é a integração entre diversos modais de locomoção, entre eles a bicicleta.

Vejam esta matéria sobre cidades mudando radicalmente: http://goo.gl/sUHfDe

Então vocês perceberão que este blog conterá algumas mensagens que poderão ser entendidas como “cicloativismo”, mas deixo claro que o ativismo aqui não é para sobrepor um meio de locomoção em detrimento de outro. Não quero que a bike reine absoluta, eu quero convivência saudável, direito de ir e vir etc, etc, etc… (muitos papos ainda virão e poderemos nos encontrar pessoalmente para falar sobre… me convidem..rs)

Bem, hoje eu fiz uma coisa bastante interessante, pela primeira vez uni alguns modais de locomoção em um mesmo trajeto, num mesmo dia. E eu me senti muito bem com isso.. Me senti saindo de uma bolha, me senti colocando meu discurso em prática, me senti satisfeito, feliz mesmo.

Foi uma ação simples, pequenina, mas gratificante para mim e para as coisas que ando lendo, ouvindo e acompanhando dos cicloativistas com mais tempo de pedal que eu.

Hoje tive de sair da minha casa, em Carapicuíba/SP e ir até o bairro da Vila Olímpia em São Paulo. E para tanto eu segui o seguinte roteiro:

Minha Bike = de Carapicuíba até a Estação Osasco da CPTM em Osasco/SP
Trem = da Estação Osasco até a Estação Vila Olímpia da CPTM em São Paulo/SP
Bike do Bradesco (empréstimo) = da Estação Vila Olímpia em São Paulo até o meu destino final no mesmo bairro, alguns quilometros à frente.

Na volta fiz exatamente o mesmo percurso.

Confesso, me senti muito bem fazendo um percurso um pouco mais longo, e que a poucos anos atrás não me ocorreria de maneira nenhuma fazer de outro meio senão apenas de carro, ônibus ou trem. Fiquei feliz. Talvez eu tenha feito o trajeto com um sorriso no rosto, notei pessoas me olhando estranhamente (kkkkkkkk)…

E no começo do percurso, quando cheguei na Estação Osasco da CPTM, qual não foi minha surpresa quando não havia vagas para eu guardar minha bike… Gelei, pois eu não conseguia imaginar como guardar minha bike, e eu tinha horário para pegar o trem, senão não chegaria na hora combinada em meu destino. Uma reunião importante me esperava.

Tive sorte, uma pessoa apareceu para retirar sua bike, liberando uma única vaga que eu utilizei. Embora outros dois ciclistas tenham ainda ficado por lá esperando que mais alguém liberasse espaço no bicicletário da CPTM.

E a pergunta que eu faço é: De onde estão vindo estes 166 ciclistas que lotaram este bicicletário? Quem são estas pessoas, de onde vem e para onde vão? Quantos dias na semana fazem este trajeto, quantas ruas perigosas e cheias de ônibus não os afligem no trajeto? Quantas mães (como a minha) não estão com os corações apertados por saberem que seus filhos estão na via com motores muito mais pesados do que a bike? quantas mulheres, filhos etc etc ???

Bem, é preciso um Plano Cicloviário para todas as cidades brasileiras, sobretudo para os grandes centros urbanos que estão caóticos quanto a mobilidade e tantos outros assuntos.

Mas está começando um movimento interessante de conversas/ações entre nós ciclistas e o poder público, um embrião que está crescendo e portas começam a sinalizar que vão se abrir. Logo menos contarei para vocês sobre este movimento, pacífico, bonito e organizado que estamos começando. E claro, contarei com a ajuda de todos…..

Seguem umas fotinhas do rolê intermodal de hoje.

Ciclobeijos a todos.

Bicicletário da Estação Osasco CPTM completamente LOTADOOOO – Não há vagas…rs

Bikes do Bradesco, pedalei menos de 30 minutos, então não pagarei nada pelo empréstimo. Gostei do serviço.

FELIZ – Rá

 

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§ 3 Respostas para Shauan Intermodal e Convivência

  • Verdade, Shauan. Com minha bike elétrica, eu ainda pedalava de Osasco ao Brás todo dia (cerca de 44 Km ida e volta). E fazia mais rápido do que se fosse de trêm/metrô! rsrs

    Concordo contigo quanto à necessidade de convivência entre bicicletas e carros. A idéia não é acabar com os carros. Mas vejo que poderíamos ter um pedágio interno, com tecnologia como a do “Sem Parar”, coisa de centavos, para quem quisesse dirigir em determinadas ruas muito movimentadas, nos horários de pico. Se somado a isso, ainda tivermos ciclovias definitivas, bicicletários em pontos estratégicos e bicicletarias abrindo em horários de ida/vinda do serviço, tenho certeza que o trânsito e a poluição do ar melhorariam consideravelmente.

    Já pensou em abrir um negócio próprio de bicicletário? Seria interessante, pois a demanda parece ser grande.

  • jramalho63 disse:

    Olá, Shauan.

    Há muito deixei a vida do grande centro urbano para trás. No meu caso, na cidade do Rio de Janeiro. Procurei bem e posso lhe garantir que não achei absolutamente nenhuma saudade dentro de qualquer parte do meu corpo, kkkkkkkkkk…

    É sempre louvável, claro, as ações dos governos (municipais, estaduais ou federais, que sejam) em prol da bicicleta. No entanto, se paramos para comparar as ações “pro-bike” do Brasil com as ações de outros países mundo à fora – e nem precisam ser necessariamente os desenvolvidos – vamos reparar uma coisa muito triste e desanimadora: o foco.

    Por aqui, o poder público insiste em focar a infraestrutura cicloviária no lazer. Fechamentos de vias em domingos e ciclovias e ciclofaixas sem continuidade.

    Fechar vias aos domingos me parece, quase sempre, muito saudável.

    Mas, o chamado “sistema mutimodal urbano” não me soa bem. Explico.

    Eles insistem em em nos empurrar em parcerias pra lá de indesejáveis com um transporte urbano poluente, ineficiente, superlotado e pensado com o único fim: o lucro.

    E de quebra, ciclovias e ciclofaixas são implementadas de uma forma a paracer mais um aborrecimento social do que elas são na realidade: UMA SALVAÇÃO SOCIAL. Simplesmente aceita-se de forma indiscutível a idéia de que não se pode simplesmente reduzir o espaço do automóvel de forma considerável em prol da cultura da bicicleta. E eu pergunto: POR QUÊ NÃO?!

    Por quê uma malha cicloviária ligando a Grande São Paulo e o centro, retirando espaço dos carros, sim, é um absurdo? Acharia mais absurdo e impossível se alguém chagasse pra mim e dissesse que nós íamos mandar uns caras pra lua. Pra quê? Ora… pra eles darem uma volta por lá e sacarem qualé, ora essa!

    Esta é a política que alguns centros urbanos no mundo estão adotando. Transporte público multimodal; desencorajamento ao uso do automóvel; elevação da bicicleta como “O VEÍCULO DE TRANSPORTE URBANO DO PRESENTE E DO FUTURO”, seja ela de propulsão “animal” (kkkkkkk…) ou elétrica.

    Não estão perguntando se nós queremos parar de sentar em nossos egos com ar condicionado, vidros e travas elétricas, direção hiráulica, freios ABS e sistemas multi-mídia blue tooth com acesso a internet móvel 4G. Estão apenas comunicando que, no centro da cidade, isso não será mais permitido, kkkkkkkk…

    Nossa!… olha só o tamanho disso, cara… Ficou enorme. Desculpe, me empolguei…

    Pra terminar esse romance, o que se consegue de ação verdadeira em prol da independência da bike no Brasil é às custas de engajamento e encheção do saco dos políticos por parte de alguns setores ciclísticos mais engajados em tentar salvar um pouco da dignidade da qualidade de vida de todos, ciclisticas e dos motoristas também. A essa gente, meus parabéns e meu agradecimento.

    Mas não está bom? Não. Precisamos de mais… muito mais… A luta não para.

    Grande abraço.

  • Shauan Bencks disse:

    é João, você está totalmente certo….
    precisamos demais de mais… rs
    amigo, eu as vezes fico feliz com algumas iniciativas, mas realmente, é um tiquinho de nada, você tem razão…
    eu também tenho os dias contados neste turbilhão que é a Grande SP, certamente que vou sair daqui… não dá.. já deu.. sem chance… abraço

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